Granada além da Alhambra
Chegamos em Granada no meio da tarde, vindo de trem por Madrid. Seguindo a recomendação do Ricardo Freire, reservamos 3 noites por lá para termos tempo suficiente para conhecer as principais atrações. A área de interesse turístico de Granada não é grande. Dois dias inteiros são suficientes para conhecer o básico. Mas a cidade é incrivelmente linda!
Eu poderia ficar 1 semana ali buscando joias da arquitetura moura escondidas sem reclamar.
Nossa hospedagem foi no Bibo Suites Gran Via, que tem vários prédios de apartamentos disponíveis na cidade pelo AirBnb ou no site oficial da rede. Embora a gente tenha tido um pequeno inconveniente com a máquina de lavar louça, eu fiquei satisfeito com o nível de conforto e, principalmente, com a localização: bem ao lado da Catedral, pertinho da Alcaiceria e a uma quadra da Plaza Nueva. Da varanda do nosso apartamento dava até pra ver um naco da Alhambra.
Tirando o trajeto de ônibus até a Alhambra, nós percorremos todas as atrações da cidade a pé. Como toda cidade medieval da Europa, Granada é para ser apreciada caminhando ao ar livre.
A principal atração do centro é a Catedral, cuja arquitetura renascentista – com detalhes góticos – do século XVI já impressiona. Acabamos não conseguindo visitar a nave central, apenas a Capela Real, onde estão enterrados os Reis Católicos, Isabel e Fernando.
Bem ao lado da Catedral, o Palácio La Madraza acaba passando despercebido por muitos turistas por conta da sua fachada barroca, digamos assim, “comum”.
Mas, lá dentro, você se surpreende com o interior do prédio construído em 1349 pelo rei nasrida Yusuf I para abrigar uma universidade islâmica. Na Sala do Oratório, há um belíssimo mihrab árabe – espaço de oração que indica a direção de Meca – com decorações em gesso e azulejos típicos da arquitetura nasrida, semelhantes aos que a gente vê na Alhambra.
Bem pertinho dali, a gente chega no labirinto da famosa Alcaiceria, o antigo mercado de seda árabe do século XIV, que hoje funciona como uma espécie de bazar de artesanato. Dependendo da hora, você vai se sentir no meio de um formigueiro. Nem tirar foto eu me atrevi de tanta gente que tinha naquele lugar!
À esquerda da Gran Vía, atrás da Catedral, começam os acessos ao bairro do Albaicín.
O Albaicín foi o principal centro urbano árabe fora das muralhas da Alhambra no período do Al-Andaluz. Seu traçado original com ruas de pedra sinuosas e casinhas brancas se mantém até hoje. A origem árabe se reflete nos detalhes da arquitetura das casas e, principalmente, nos seus pátios e jardins internos.
Algumas delas, conhecidas como cármenes, são abertas à visitação.
A mais famosa é a Carmen de los Gerânios, também conhecida por Casa Museo Max Moreau. Ela foi a residência de um pintor belga que viveu em Granada e a deixou de herança para a cidade após a sua morte.
Os horários de visitação são restritos, mas a entrada é gratuita. Você poderia muito bem passar batido por ela se não soubesse que, por trás daquele muro bem comum, se esconde uma belezura de casa.
A poucos passos dali, atravessando a Placeta Cristo de las Azucenas, você encontra um dos quatro monumentos andaluzes que são geridos pelo Patronato da Alhambra e estão situados fora dos seus muros: o Palácio Dar al-Horra. É possível comprar um ingresso único que dá direito a visitar todos os quatro monumentos. Mas como eu só me dei conta da presença dele na manhã do último dia, antes da partida para Sevilha, acabei não comprando e me contentando com a vista externa.
Por estar localizado numa colina oposta à colina da Alhambra, é no Albaicín que você terá as melhores vistas do monumento. São vários miradouros espalhados pelo bairro para você escolher o melhor ângulo.
À noite, o Mirador San Nicolas se enche de músicos que ali se posicionam para acrescentar mais um sentido ao espetáculo que se abre aos seus olhos.
Descer em direção à Carrera del Darro é a melhor forma de encerrar o passeio pelo Albaicin. Ela margeia o Rio Darro, que separa as colinas do Albaicin e da Alhambra, descendo até a Plaza Nueva, de onde partem os microônibus para a Alhambra e o bairro Sacromonte.
O Sacromonte é o bairro das famosas cuevas – casas construídas dentro das pedras – e por ser o berço da zambra, uma espécie de flamenco granadino. Nós pegamos o ônibus C34 e fomos direto até a Abadia de Sacromonte, que fica no ponto mais alto da colina.
Ali você tem a oportunidade de avistar algumas cuevas e de tirar mais fotos da vizinha Alhambra.
Depois, seguimos a pé até a famosa Casa La Sevilhana para uma foto clássica na casinha enfeitada com pratos e vasos de flores na parede.
De lá, você pode continuar descendo para visitar as diversas cuevas que se sucedem ao longo do Caminho do Sacramonte ou reembarcar no C34 (você pode usar o mesmo bilhete num intervalo de até 1h). Como nossas pernas já estavam cansadas do passeio à Alhambra, nós optamos por pegar o ônibus e saltar no ponto próximo à Placeta del Salvador para mais uma peregrinação pelo bairro do Albaicín.
Bom, digamos que isso é suficiente para você conhecer o essencial de Granada. Mas sua visita à Granada não estará completa se você não se aventurar a “salir de tapas” e experimentar a cultura das tapas pelos bares e restaurantes da cidade. É uma atração à parte!
Diferente de Sevilha, em Granada as tapas são um acompanhamento aleatório da bebida que você pede. Você não escolhe a tapa que quer experimentar. É a tapa que escolhe você. O garçom traz uma pequena porção da guarnição que estiver saindo da cozinha do restaurante naquele momento. Isso cria um ambiente de diversão e expectativa pelo que virá junto com a sua próxima bebida. E reza a lenda que a tapa seguinte é sempre melhor que a anterior, o que te leva a querer beber sempre mais.
Eu “sali de tapas” duas vezes à noite.
A primeira foi no Il Pescaíto de Carmela, com cardápio 100% sem glúten (depois de velho, eu desenvolvi uma intolerância ao glúten) e recomendado pelo Ricardo Freire. Foi lá que eu provei o famoso “tinto de verano” – uma taça de vinho tinto misturada com refrigerante de limão – que, pra mim, se tornou a bebida oficial da Espanha. Minha primeira tapa foi cogumelos shitakes na manteiga. Depois, eu acabei optando por uma refeição porque eu estava mais interessado em comer do que beber.
Na segunda vez, eu fui até a Plaza de Bib Rambla e me acomodei no balcão do Bar Los Diamantes. Pedi uma cerveja sem glúten e não demorou muito para que o primeiro prato de tapas chegasse até mim: uma deliciosa porção de mexilhões cozidos. Empolgado com a minha sorte e confiante na lenda da próxima tapa, pedi um “tinto de verano” e realmente não me decepcionei. Dessa vez, uma suculenta porção de “gambas aioli” ou, em bom português, camarões ao alho e óleo.
Embora eu tenha ido até lá disposto a encarar o máximo de tapas, eu já estava saciado e não tinha mais espaço para uma terceira rodada de bebidas e tapas. (ok, eu não sou nenhum bebum!)
Eu diria que, entre tapas e arabescos, é muito fácil morrer de amores por Granada.
























